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Secretário Regional da Saúde
O Presidente do Grupo Parlamentar do CDS-PP Açores, Artur Lima, pediu, esta terça-feira, a demissão do Secretário Regional da Saúde por considerar que este “é um atentado à saúde pública nos Açores”.
Em causa, segundo o Deputado centrista, está o facto de Miguel Correia ter aproveitado “a Gripe A para se auto-promover na comunicação social”, tentado “camuflar uma inoperante Direcção Regional da Saúde e uma moribunda Direcção de Serviços de Cuidados de Saúde” e por ter “mentido” quanto ao número de casos positivos de infecção na Região.
Numa Declaração Política, no Parlamento Regional, Artur Lima criticou que nos Açores tenha sido “feita uma abordagem política relativamente à Gripe A, em detrimento da competente abordagem técnica e profissional”.
O líder parlamentar popular foi duro: “O Senhor Secretário mentia e camuflava a ineficácia da sua acção para combater a gripe. Até 18 de Outubro passado, registaram-se 2396 casos de gripe A nos Açores, segundo dados da Direcção-Geral de Saúde, mas a Secretaria Regional só anunciava 942 casos. A gripe nos Açores esteve sempre a aumentar, nunca a estagnar e muito menos controlada como chegou a afirmar o Senhor Secretário”.
Mais grave, acrescentou Lima, do que a gripe A nos Açores, “parece ser a actuação eivada de má fé do Secretário da Saúde que, irresponsável e reiteradamente, omitiu dados, faltando escandalosamente à verdade, numa tentativa de enganar a opinião pública, para se proteger da teia de incompetência que ele próprio criou”.
“Despudoradamente, o Secretário Regional da Saúde aproveitou a Gripe A para se auto-promover na comunicação social, aparecendo, entre 9 de Junho e 25 de Agosto, 111 vezes, tantas quantos os casos de gripe A então confirmados na Região. O ilustre desconhecido aproveitava assim o infortúnio dos outros para dizer aos Açorianos que era o Secretário da Saúde, numa actuação que, não raras vezes, roçando o ridículo, amiúde raiava o patético. É claro que, além da promoção pessoal, as aparições também tinham outro objectivo: camuflar uma inoperante Direcção Regional da Saúde e uma moribunda Direcção de Serviços de Cuidados de Saúde a quem competia liderar todo este processo”, prosseguiu.
Ora, como estas entidades foram “inoperantes”, então o democrata-cristão sugere que sejam extintas: “Se não foram capazes de ter um papel activo, como era seu dever, e como fez a Direcção-Geral de Saúde, então que sejam extintas, porque servem para pouco mais do que nada”.
Mentiras
Para fundamentar a sua posição, Artur Lima lembrou algumas tomadas de posição do seu Partido, a meados de Agosto, sobre o processo relativo à Gripe A e apresentou números que divergem, consoante são apresentados pela Secretaria Regional da Saúde ou pela Direcção-Geral de Saúde (DGS).
“No dia 20 de Agosto, o CDS-PP, em conferência de imprensa, democrática e construtivamente, apresentou algumas propostas, como a distribuição de um kit pelas famílias, a abertura dos SAG (Serviços de Atendimento à Gripe A) e uma campanha de vacinação contra a gripe sazonal e pneumonia para alguns grupos de risco. Para nosso espanto e de muita gente, o Secretário responde com sobranceria e arrogância dizendo que já estava tudo feito.
No dia 20 de Agosto, não estava qualquer SAG em funcionamento nos Açores; irresponsavelmente foram abertos à pressa, sem cumprirem os requisitos técnicos da DGS e chegando ao cúmulo de se abrir um numa morgue. Ainda hoje o seu funcionamento é humilhante e degradante para os doentes e para os profissionais de saúde. O folheto informativo que o Secretário afirmava, à data, já ter mandado para os lares Açorianos, só em inícios de Outubro começou a chegar a casa das pessoas. Ainda ontem chegava ao Pico e ao Faial. A campanha de vacinação nunca chegou a existir, nem existe. Apenas uns anúncios na comunicação social – e a partir de 22 de Agosto”.
Por isto, Artur Lima considera que o Secretário Regional “faltou à verdade”, algo que apelida de “inaceitável”.
Números divergentes
“Cientes da enorme taxa de crescimento da Gripe A nos Açores, disponibilizamos, nessa conferência de imprensa, um modelo epidemiológico que previa que a 3 de Setembro se atingiriam, no mínimo, os 200 casos de Gripe A na Região.
Marcamos uma conferência de imprensa para esse dia. A conferência de imprensa nunca foi realizada, porque parecia que o nosso modelo epidemiológico tinha deixado de funcionar, pois nesse dia, de acordo com os dados da Secretaria da Saúde só existiam 157 casos de gripe A nos Açores. O Senhor Secretário andou a mentir, pois o número de casos de gripe A nos Açores, a 30 de Agosto de 2009, já era de 236 (segundo os dados da Direcção-Geral de Saúde)”, apontou.
E prosseguiu: “A 13 de Setembro, o número de casos de gripe divulgados pelo Senhor Secretário eram de 198. Continuava a mentir, pois já eram 503, de acordo com a DGS. A 20 de Setembro de 2009, a Secretaria Regional referia a existência de 366 casos de gripe nos Açores. Mentira, já eram de 735 casos. A 27 de Setembro, totalizavam-se, de acordo com os dados tornados públicos pela Secretaria da Saúde, 588 casos de gripe A nos Açores. Continuava-se a mentir, pois a DGS totalizava já 980 casos”.
De facto, advertiu o líder parlamentar centrista, “o nosso modelo epidemiológico não estava a falhar. O que falhava era a falta de verdade do Secretário Regional da Saúde. De acordo com os dados da Secretaria da Saúde, os 200 casos de Gripe A nos Açores atingiram-se no dia 14 de Setembro, ou seja, 15 dias depois de tal ter ocorrido. Nesse período estávamos com uma média de infecção diária na Região de 21 casos, quando os dados revelados pelo Senhor Secretário passavam de um caso por dia, para 7 casos por dia”, indicou.
Falta ética
e honestidade
Por tudo isto, Artur Lima pede a demissão de Miguel Correia, afirmando que “a um membro do Governo exige-se uma conduta política com honestidade, ética e transparência. O espírito de serviço público na defesa da saúde e segurança das populações é um imperativo moral e ético que não reconhecemos no actual Secretário da Saúde e, por isso, achamos que não reúne o mínimo de condições para se manter no cargo público de alta responsabilidade que ocupa”.
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