|
Na CULTURANGRA
Uma iniciativa pouco comum. Félix Rodrigues, Vice-Presidente do CDS-PP Açores, nomeado Vogal do Conselho de Administração da Empresa Municipal Culturangra, após as últimas eleições autárquicas, acaba de emitir um comunicado onde pretende apresentar aos Angrenses o balanço daquilo a que designa por “Um semestre de participação do CDS-PP na Administração da Culturangra”.
Neste texto, assinado pelo próprio, Rodrigues salienta que a grande “preocupação” tem sido o “apuramento das dívidas”, indicando várias das propostas que apresentou em sede de administração, reconhecendo as dificuldades de investimento e elogiando os funcionários da empresa que, considera, têm “ultrapassado os limites do aceitável”.
Vamos por partes. Félix Rodrigues afirma que passado o “primeiro semestre de gestão do actual conselho de administração, torna-se pertinente dar nota pública da actuação do vogal do CDS-PP nessa administração”. Assim, desvenda, “no primeiro semestre de 2010, a preocupação com o apuramento e pagamento das dívidas a fornecedores foi constante, bem como com os gastos e rentabilização de cada uma das actividades desenvolvidas pela empresa”.
O Vice-Presidente de Artur Lima no CDS-PP Açores não tem papas na língua e assume que “a empresa municipal ainda se encontra numa situação financeira complexa, daí que se entenda que a sustentabilidade da Culturangra, passa pelo necessário equilíbrio económico de cada uma das suas actividades ou áreas de actuação”.
Assim, concretiza, “é prioridade para o CDS-PP o pagamento de dívidas contraídas pela empresa municipal, alheia a esta gerência, estando sempre de acordo com os restantes membros do Conselho de Administração acerca das estratégias ou planos a implementar, para a mais rápida e eficaz forma do seu pagamento”.
Rodrigues vai ao ponto de afirmar que “a situação económica actual exige mais do que nunca uma estratégia coordenada para que seja possível fazer face à necessidade de uma consolidação orçamental, que se pensa ser decisiva à sobrevivência da própria empresa”.
Aliás, explica, “na qualidade de Vogal do Conselho de Administração tenho avaliado mensal e individualmente, todas as acções ou actividades levadas a cabo pela Culturangra de modo a que possam ser implementadas medidas que permitam evitar prejuízos para o município”.
“Pessoalmente, tenho-me envolvido em todas as actividades levadas a cabo pela empresa municipal, no que respeita a aquisição de materiais e serviços, prestação de serviços e actividades culturais. Neste primeiro semestre de 2010, as contas da Culturangra estão equilibradas, embora pesem sobre elas o ónus da dívida de 2009. O actual conselho de administração da Culturangra tem estado sempre de acordo no que se refere às grandes questões político-financeiras e culturais da empresa”, acentua.
Propostas do CDS-PP
Passando a uma segunda fase do Comunicado, Félix Rodrigues enumera algumas das principais propostas que apresentou no Conselho de Administração da empresa municipal: “Foram propostas alterações à programação e calendarização do cinema, definidas estratégias de rentabilização económica dessa actividade, sem alterar preços, implementados debates mensais no final dos filmes denominados de ‘culturais’ e proposta a aquisição de um sistema de projecção digital que possa projectar filmes normais e a três dimensões. Esse sistema digital reduz a necessidade do uso de volumosas bobinas e respectivos custos de transporte e permite a estreia atempada dos filmes mais recentes em Angra do Heroísmo. Prevê-se a recuperação deste investimento num período de dois anos”.
Já no que respeita ao teatro, “e dentro do orçamento disponível”, Félix Rodrigues aponta que propôs “novas regras para a temporada de teatro de modo a torná-lo sustentável a par da necessidade de promoção dos grupos locais, especialmente os primeiros classificados no concurso de teatro”.
“Propus a descentralização de algumas actividades pelas freguesias do concelho, tendo já sido levadas a cabo palestras em São Sebastião, Porto Judeu e Feteira. Também foi proposta do vogal do CDS-PP a criação de torneios de bowling destinados a diferentes públicos que permitam promover esta actividade desportiva, as actividades alusivas ao centenário da república, as actividades de educação ambiental das zonas balneares com bandeira azul da Europa e exposições nos espaços do município”, indica.
Funcionários incansáveis
Neste Comunicado emitido à imprensa e aos órgãos do seu Partido, Félix Rodrigues tece um rasgado elogiado à postura dos funcionários da Culturangra: “Os funcionários da Culturangra, cientes das dificuldades da empresa têm anuído a trabalho extraordinário sem qualquer tipo de remuneração. Grande parte das actividades da empresa municipal, em horário pós-laboral, só é possível devido ao empenho e profissionalismo dos seus funcionários, que desde o início, já aquando das propostas das actividades de Natal, se esmeraram e ultrapassaram os limites do aceitável”.
Rodrigues salienta ainda que “no conselho de administração defendo o acordo tripartido, no qual se ajusta a integração dos funcionários provenientes da Câmara Municipal nos quadros da Empresa Municipal”.
Por outro lado, o professor universitário diz defender “a cobrança de serviços prestados na utilização dos equipamentos adstritos à empresa e que permita pagar as horas extraordinárias dos funcionários da Culturangra”.
Entretanto, é assumido que “alguns equipamentos necessitam de manutenções, correcções e adaptações, que permitam a sua adequabilidade às funções para as quais estão destinados”, tendo defendido, “desde o primeiro instante na Culturangra, que o Concelho de Angra do Heroísmo não deve ser exclusivamente consumidor de actividades culturais, devendo também ser produtor e exportador da nossa cultura”.
Tal princípio, frisa, “será sempre limitado pela disponibilidade financeira da empresa e pelo investimento camarário. Entende-se que a cultura pode ajudar o Concelho a ser mais competitivo numa dinâmica económica do conhecimento do mundo, capaz de promover o crescimento económico sustentável com mais e melhores empregos e uma maior coesão social”.
Por isso, remata, “defendo na Culturangra as parcerias políticas e institucionais para a produção de eventos e anuiu-se a todas as propostas nesse sentido. Penso que na gestão da Culturangra, apesar de os administradores ocuparem cargos de nomeação política, que as filiações partidárias e a vida política do Concelho não deverá interferir nas actividades e gestão da empresa. Assim, sempre tento esclarecer que actividades são da responsabilidade da Culturangra e quais são da responsabilidade da Câmara Municipal. Entendo que umas não têm que se misturar com as outras para benefício da imagem de uma e outra instituição. A programação cultural da empresa tem sido debatida tanto no Conselho de Administração como com os funcionários”.
|